Então, é Natal!
Então, é Natal!
1. Leitura do Dia: João 1:1-5, 14 (NVI)
¹ No princípio era o
Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. ² Ele estava no princípio
com Deus. ³ Todas as coisas foram feitas por intermédio dele; sem ele, nada do
que existe teria sido feito. ⁴ Nele estava a vida, e esta era a luz dos homens.
⁵ A luz brilha nas trevas, e as trevas não a derrotaram. ... ¹⁴ E o Verbo se
fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua
glória, glória como do unigênito do Pai.
2. Contextualização
O Evangelho de João
começa de uma forma radicalmente diferente dos outros. Mateus e Lucas nos dão a
genealogia, os anjos, os pastores e a manjedoura – a visão terrena do Natal.
João, por outro lado, abre a cortina da própria eternidade. Ele não começa em
Belém, mas "no princípio". Ele quer que entendamos, antes de qualquer
outra coisa, a verdadeira identidade cósmica daquele bebê. Usando o termo
"Verbo" (em grego, Logos), João se conecta tanto com o
pensamento judaico (a Palavra criadora de Deus em Gênesis) quanto com o grego
(o princípio racional que ordena o universo), para fazer uma declaração
chocante: essa Palavra, esse Princípio, não é uma força impessoal. É uma
Pessoa. E essa Pessoa é Jesus.
Se os outros evangelhos
nos mostram o que aconteceu no Natal, João nos mostra Quem
Aconteceu. Este é o Natal visto da perspectiva do céu, e é a verdade mais
avassaladora que a mente humana pode contemplar.
- A Identidade Eterna do Verbo (vv.
1-3): Antes que
houvesse tempo, montanhas ou estrelas, havia o Verbo. João estabelece a
divindade de Cristo de forma inquestionável: Ele é eterno ("no
princípio era"), Ele é relacional ("estava com Deus",
distinto do Pai) e Ele é essencialmente Deus ("e o Verbo era
Deus"). O bebê na manjedoura não é um ser criado; Ele é o Criador de
todas as coisas. As mãos que Maria segurava eram as mesmas mãos que
espalharam as galáxias. A mente que aprenderia a falar aramaico era a
mesma Mente que concebeu as leis da física.
- A Invasão da Luz (vv. 4-5): O mundo, sem Ele, está em
"trevas" – um estado de ignorância espiritual, pecado e morte.
Cristo entra neste mundo como "Luz" e "Vida". O Natal,
portanto, não é uma trégua pacífica; é uma invasão. É o desembarque da Luz
em um território ocupado pela escuridão. E João nos dá a promessa
vitoriosa desde o início: as trevas podem lutar contra a Luz, podem tentar
ignorá-la, podem até mesmo "matá-la" em uma cruz, mas elas não
podem, e nunca poderão, derrotá-la.
- O Milagre Supremo: "O Verbo se
fez carne" (v. 14):
Esta é, possivelmente, a frase mais importante já escrita. O eterno entrou
no tempo. O infinito se tornou finito. O Criador se tornou parte da
criação. Aquele que é puro espírito assumiu um corpo, com suas limitações,
dores e fragilidades. A palavra "habitou" aqui é, literalmente,
"armou sua tenda" (tabernaculou). É uma referência direta
ao Tabernáculo do Antigo Testamento, onde a glória de Deus habitava entre
o povo, mas de forma velada e inacessível. Agora, diz João, essa mesma
Glória Divina montou sua tenda entre nós, não em um santuário de pano, mas
na pessoa de Jesus. Podíamos vê-la, ouvi-la, tocá-la. E essa glória não se
manifestava em um fogo consumidor, mas em um transbordar de "graça e
de verdade".
O Natal corre o risco de
se tornar uma celebração sentimental de um evento passado. João nos proíbe essa
superficialidade. O bebê na manjedoura não é apenas um símbolo de paz e boa
vontade. Ele é o Deus eterno, o Criador do universo, que se vestiu de nossa
humanidade para que pudéssemos conhecê-Lo.
O fato de o
"Verbo" ter se tornado "carne" muda tudo. Significa que
nosso Deus não é distante, abstrato ou indiferente à nossa condição. Ele sabe o
que é sentir cansaço, fome, tristeza e dor. Ele entende nossa luta porque Ele a
viveu. A mais alta teologia ("o Verbo era Deus") encontra a mais
profunda necessidade humana ("se fez carne").
Neste dia, somos chamados
a fazer mais do que admirar uma cena bonita. Somos chamados a adorar. A nos
curvar em assombro diante do mistério de que o Deus que sustenta o cosmos se
permitiu ser sustentado nos braços de uma jovem mãe. Somos chamados a deixar a
Sua Luz invadir as áreas escuras de nossas vidas – nossos medos, nossos pecados
secretos, nossas dúvidas – com a certeza de que as trevas não prevalecerão. E
somos chamados a "ver a Sua glória", uma glória manifesta em um amor
tão radical que O levou do trono da eternidade para a manjedoura de Belém, e da
manjedoura para a cruz do Calvário.
- Reflita: Você já parou para pensar que o
Deus a quem você ora é Aquele que se fez carne? Como a verdade de que Ele
entende sua humanidade por experiência própria impacta sua confiança e sua
forma de se relacionar com Ele? Você está celebrando apenas um nascimento
histórico ou adorando o Deus-Homem que invadiu as trevas por você?
- Aplique: Hoje, em meio às celebrações, reserve um momento de silêncio. "Veja a Sua glória". Olhe para a cena do presépio, ou simplesmente feche os olhos, e adore conscientemente o Verbo que se fez carne. Agradeça-Lhe não apenas por ter nascido, mas por ser o Criador, a Vida e a Luz. Depois, escolha ser um pequeno "tabernáculo" da Sua presença para alguém. Mostre a glória de Deus a uma pessoa através de um ato transbordante de graça (perdão, paciência, generosidade) e verdade (uma palavra de encorajamento sincera, um conselho sábio e amoroso)
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