Dia 34 - Deus da paz
Dia 34: Capacitação
para toda boa obra
Subtema: Oração — Deus da paz que aperfeiçoa
Descrição curta: O Deus da paz nos aperfeiçoa. Como
confiar nEle para práticas de reconciliação.
1. Oração Inicial
Pai, nosso Deus da Paz, ao entrarmos no trigésimo
quarto dia desta reflexão pela paz, reconhecemos nossa total incapacidade.
Quantas vezes desejamos fazer o bem, buscar a paz e promover a reconciliação,
mas nos sentimos fracos, sem palavras e sem coragem. Pedimos que o Teu Santo
Espírito abra nosso entendimento para esta porção da Tua Palavra, para que
possamos descansar não em nossa força, mas em Teu poder que nos aperfeiçoa para
toda boa obra. Em nome de Jesus. Amém.
2. Texto bíblico
"Ora, o Deus da paz, que tornou a trazer
dentre os mortos a nosso Senhor Jesus, o grande Pastor das ovelhas, pelo sangue
da eterna aliança, vos aperfeiçoe em todo o bem, para fazerdes a sua vontade,
operando em vós o que é agradável diante dele, por Jesus Cristo, a quem seja a
glória para todo o sempre. Amém!" (Hebreus 13:20-21, ARA)
3. Contextualização Histórica e Cultural
Este texto é uma magnífica bênção apostólica, uma
doxologia que encerra a carta aos Hebreus. Após uma longa e densa argumentação
teológica sobre a superioridade de Cristo sobre os anjos, sobre Moisés e,
principalmente, sobre o sistema sacerdotal levítico, o autor finaliza com uma
oração. Ele não deixa seus leitores apenas com a teologia; ele os entrega aos
cuidados do Deus sobre quem ele escreveu. Esta oração funciona como uma ponte,
conectando a doutrina (o que Deus fez em Cristo) com a prática (o que Deus fará
em nós).
4. Reflexão Teológica
Esta oração é um dos resumos mais ricos do
evangelho em toda a Bíblia e nos ensina de onde vem nossa capacidade para a
paz.
Primeiro, a fonte da nossa capacitação é "o
Deus da paz". Este título não é acidental. A paz que somos chamados a
viver e promover só é possível porque Deus, em Sua essência, é um Deus de paz,
que planejou e executou a reconciliação.
Segundo, o poder para nos capacitar é o poder da
ressurreição. O autor faz questão de mencionar que este Deus "tornou a
trazer dentre os mortos a nosso Senhor Jesus". O mesmo poder divino e
ilimitado que venceu a morte e o túmulo é o poder que está disponível para nos
transformar e nos equipar. Nossa tentativa de fazer a paz não é um esforço
humano frágil; é uma obra energizada pela ressurreição.
Terceiro, o fundamento da nossa capacitação é a
"eterna aliança" selada com o sangue de Cristo, "o grande Pastor
das ovelhas". Isso significa que a obra de Deus em nós não depende de
nosso mérito ou de nossa força diária, mas está garantida pela obra consumada e
perfeita de Jesus na cruz. Porque Ele é nosso Pastor, Ele se responsabiliza por
nos guiar e nos nutrir.
Com essa base (a natureza de Deus, o poder da
ressurreição e a garantia da aliança), vem a petição central: "vos
aperfeiçoe em todo o bem". A palavra grega para "aperfeiçoar"
(katartizō) é um termo técnico que significa equipar, consertar, preparar ou
completar o que falta. É a imagem de um general equipando seu soldado para a
batalha ou de um médico colocando um osso deslocado no lugar. Deus não nos
chama para a boa obra da reconciliação e nos deixa descobrir como fazê-la
sozinhos. Ele nos equipa, Ele nos conserta, Ele nos prepara.
E como Ele faz isso? A frase seguinte é crucial:
"operando em vós o que é agradável diante dele". A soberania de Deus
e a responsabilidade humana dançam juntas aqui. Nós somos chamados a
"fazer a sua vontade", mas é Ele quem "opera em nós" o
desejo e a capacidade para tal. Como Paulo diz em Filipenses 2:13: "porque
Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa
vontade". Portanto, a capacitação para a paz não é algo que buscamos fora,
mas uma obra que Deus realiza dentro de nós, pelo Espírito Santo, para a glória
de Jesus Cristo.
5. Trazendo para Nossos Dias
Muitas vezes, encaramos um conflito ou uma relação
quebrada como se estivéssemos diante de um abismo com a tarefa de construir uma
ponte sozinhos. Olhamos para o outro lado, olhamos para nossas mãos vazias e
concluímos: "É impossível. Eu não tenho as ferramentas. Não sou
engenheiro. Se for, pensa: Não tenho força." E, paralisados pelo
sentimento de incapacidade, nós desistimos.
Hebreus 13:20-21 é a promessa de Deus de que Ele
não nos deixa de mãos vazias. É como se, diante do abismo, o "Deus da
paz" se aproximasse e nos entregasse uma caixa de ferramentas divina.
Dentro dela, encontramos a paciência que não temos, a sabedoria para dizer a
palavra certa, a coragem para dar o primeiro passo e a força para perdoar. E o
mais incrível: Ele não apenas nos dá as ferramentas, mas, como um Mestre
Artesão, o próprio Espírito Santo trabalha em nós e conosco, nos ensinando a
usar cada uma delas. Nossa tarefa não é fabricar as ferramentas, mas confiar no
Artesão e usar as ferramentas que Ele nos deu.
6. Aplicação
A capacitação para a paz vem da confiança ativa na
obra aperfeiçoadora de Deus em nós.
Aplicação prática: Faça um "Inventário de
Confiança" sobre uma situação de conflito que você está evitando.
Identifique o desafio: Pense em uma relação
quebrada ou uma conversa difícil que você precisa ter para promover a paz, mas
se sente incapaz de realizar.
Liste suas incapacidades: Em uma folha, escreva
honestamente por que você se sente incapaz. Exemplos: "Tenho medo da
reação dele(a)", "Não sei nem por onde começar", "Não tenho
paciência para essa conversa", "Sinto-me fraco demais para
perdoar".
Confronte com a promessa: Ao lado de cada
incapacidade, escreva a promessa correspondente de Hebreus 13:20-21.
Medo da reação? è "O Deus que ressuscitou
Jesus me aperfeiçoa." (Seu poder é maior que meu medo).
Não sabe por onde começar? è "Ele opera em mim o que é
agradável a Ele." (Ele me dará a sabedoria e o primeiro passo).
Não tem paciência? è "Ele me aperfeiçoa em todo
o bem." (Ele pode me suprir com a paciência que me falta).
Ore com confiança: Transforme essa lista em uma
oração, entregando cada incapacidade a Deus e pedindo que Ele opere em você o
querer e o realizar, capacitando-o para dar um pequeno e obediente passo de fé.
7. Oração Final
Deus da Paz, nosso Grande Pastor, nós Te louvamos
porque não nos deixas órfãos na tarefa de fazer a paz. Olhamos para nossas mãos
e as vemos vazias, mas olhamos para a Tua Palavra e vemos a promessa do Teu
poder que ressuscitou Jesus. Entregamos a Ti nossas incapacidades, nossos medos
e nossas fraquezas. Pedimos, ó Pai, que operes em nós o Teu querer.
Aperfeiçoa-nos, equipa-nos e usa-nos como instrumentos de reconciliação, não
para nossa glória, mas para a glória eterna de Jesus Cristo. Amém.
Esta reflexão faz parte da nossa série de 40 Dias
de Oração e Reflexão pela Paz. Estamos nos aproximando do grande final! Se você
perdeu algum texto, pode encontrá-los clicando na capa do nosso blog no topo da
página.
Continue conosco e sinta-se à vontade para compartilhar esta poderosa mensagem de capacitação com seus amigos e familiares.
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